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“Por muitos anos, vimos os jornalistas brasileiros lidarem com várias questões relativas à insegurança, que vão desde grupos criminosos que tentam silenciá-los até empresários e autoridades públicas corruptas que discordam com aquilo que eles reportam”

- Hannah Storm, diretora do International News Safety Institute (INSI)

Supere os sete desafios de criar um filho sozinho


 Ofereça carinho e atenção na dose certa sem abrir mão da sua vida pessoal

Devo fazer o papel do outro? Getty Images

 

 

Devo fazer o papel do outro?

A questão é unânime entre os especialistas no assunto, não existe como o pai fazer o papel da mãe ou vice-versa. "A criança vai sentir falta da outra parte e a melhor maneira de aliviar este sentimento é mostrar carinho, estar presente na rotina da criança", afirma o psicanalista Mauro Hegenberg, professor do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Mas nem por isso significa que a criança terá uma educação inferior àquela de quem cresceu com pai e mãe em casa. Uma boa forma de preencher esse espaço é o apoio da família de origem, como um parente que pode representar a pessoa ausente. "Mas caso a criança se apegue de forma exagerada, é sinal de que algo não vai bem", afirma Mauro Hegenberg.

Nas reuniões da escola ou na festinha infantil dá para perceber: cresceu o número de pais e mães que criam os seus filhos sozinhos, hoje, são oito milhões de homens e mulheres solteiros responsáveis por suas crianças. Os números são do Censo 2010 do IBGE, que também constatou uma diminuição nos casais que decidem ter filhos - são 27 milhões de famílias no modelo tradicional, metade do que havia dez anos atrás.

Quando o pai ou a mãe criam o filho sem a companhia do cônjuge, entretanto, alguns conflitos emocionais tendem a surgir, interferindo no equilíbrio psicológico da criança se não forem observados desde cedo. "O erro mais comum é permitir que os desentendimentos amorosos façam parte da rotina da criança e se reflitam na vida delas, com dificuldades para visitas ou críticas a quem não mora com ela", afirma a psicóloga Raquel Baldo Vidigal, especialista no estudo psicanalítico contínuo, com base em Winnicott.

Para vencer este e outros desafios relacionados à educação infantil quando falta o cônjuge para dividir as responsabilidades diárias, veja as dicas dos especialistas.

Devo responder as perguntas do meu filho? Getty Images

Devo responder as perguntas do meu filho?

Não tem como fugir, uma hora o seu filho vai te perguntar sobre a pessoa ausente, vai querer saber quem ela é, o que ela faz e outras perguntas sobre a origem familiar dele. "Por mais que não exista a presença da outra pessoa, a figura dela sempre existirá, mesmo que ausente ou morta, e justamente por isso, há necessidade de uma explicação", afirma a psicóloga e doutora Denise Pará Diniz, coordenadora do Setor de Gerenciamento de Estresse e Qualidade de Vida da Unifesp.

Portanto, ao iniciar os questionamentos existem dois caminhos, um para a criança e outro para o adolescente. "Não devemos nunca mentir ou esconder nada da criança, apesar de pequena, ela precisa saber de forma objetiva a sua origem e o motivo da ausência do pai ou da mãe." Segundo Denise, quando o filho entra na adolescência a explicação pode ser mais detalhada sobre os motivos da separação, porém, sem que as suas emoções ou seus traumas sejam despejados em quem ouve.


Como faço para evitar discriminações sociais? Getty Images

Como faço para evitar discriminações sociais?

O modelo de família em que a criança é criada por apenas um responsável é cada vez mais comum. "normalmente, o problema aparece quando a família esconde parte da história, sem revelar por que o pai ou a mãe está ausente", afirma a psicóloga Raquel Baldo Vidigal. Isso mexe com a cabeça da criança porque ela fica sem referências frente aos colegas, uma situação mais comum quando tem inicio a vida escolar.


Ele só tem a mim, tenho que oferecer mais carinho? Getty Images

Ele só tem a mim, tenho que oferecer mais carinho?

Filhos devem receber carinho, isso nunca é demais. O exagero acontece quando o carinho vira mimo e você perde a capacidade de impor limites. De acordo com o psicanalista Mauro Hegenberg, se uma criança entende que tem regalias porque o pai ou a mãe não mora com ela, surge uma versão alterada da realidade. "A mensagem por trás desse comportamento é que ela seria uma pessoa prejudicada, a quem o mundo deve", afirma. Segredos na família, como problemas judiciais e traição conjugal, devem ser abordados somente quando a criança tiver condições de entender do que se trata e avaliar o cenário por conta própria.

A psicóloga Raquel completa que o pai ou a mãe responsável pela criança precisa dar atenção na medida do possível. "Pequenas atividades já representam o convívio, como ler histórias ou ter uma conversa pela manhã, reserve uma hora para brincar com a criança no final de semana, mas nunca dedique todo o seu tempo livre para dar atenção." Ela afirma que o carinho exagerado desmerece o outro, como se ele dependesse disso para compensar alguma carência irreversível.

Às vezes me sinto culpado - Getty Images

"Às vezes me sinto culpado"

É claro que a criança quer ver os pais juntos, mas o seu desejo é de ter pai e mãe juntos ao mesmo tempo. Segundo Raquel Baldo Vidigal, a criança tem mesmo o poder de manipular e conduzir os pais para realizaras suas vontades, mas elas só conseguem concretizar isso quando os adultos sentem-se culpados. "Quando o cônjuge está seguro de que a separação é o melhor caminho, a culpa não se instala e a criança, do jeito dela, não vai usar essa mudança para chantagear os pais", afirma o psicólogo Mauro Hegenberg.

Devo mesmo estimular a relação com o responsável biológico?

Devo mesmo estimular a relação com o responsável biológico?

A questão é bem relativa e depende muito da vontade de seu filho e da parte ausente, segundo a maioria dos especialistas. No geral, não há problema em estimular esse encontro quando existe disponibilidade do pai ou mãe biológico e interesse da criança. "É altamente prejudicial à autoestima da criança ficar criando situações, historinhas e momentos para que ela cresça com ambos os pais", afirma psicóloga Raquel. Quando uma das partes está resistente é melhor evitar o encontro, do contrário a criança pode ficar retraída ou agressiva ao se ver obrigada a conviver com alguém.

Eu estou namorando outra pessoa, e agora? Getty Images

Eu estou namorando outra pessoa, e agora?

Muitas pessoas, após a separação, ficam carentes e transformam seus filhos em "namorados". Neste caso, os ciúmes serão inevitáveis. A psicóloga Maria Elisangela Nunes Carneiro, do Instituto Maternar Vida, explica que não há nada de errado com este sentimento desde que o adulto explique o que está acontecendo. "Continue dando amor e atenção para que seu filho sinta-se seguro com as mudanças", afirma. Quando a nova relação é saudável, a tendência é que este sentimento diminua com o passar do tempo e com a adaptação da criança a uma pessoa na rotina. "Mas apresente seu filho somente quando a relação já estiver mais estável, protegendo a criança do trauma de mais uma separação, de mais uma perda".

 

 

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