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“Por muitos anos, vimos os jornalistas brasileiros lidarem com várias questões relativas à insegurança, que vão desde grupos criminosos que tentam silenciá-los até empresários e autoridades públicas corruptas que discordam com aquilo que eles reportam”

- Hannah Storm, diretora do International News Safety Institute (INSI)

Piauí: 7 anos de Lei Maria da Penha e nenhum condenado

Lei Maria da Penha foi sancionada no dia 7 de agosto de 2006. Quase sete anos depois da criação da lei federal 11.340, nenhum acusado de promover a violência doméstica contra a mulher foi condenado no Piauí. A informação foi divulgada pelo juiz titular de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça do Piauí, José Olindo Gil Barbosa, no lançamento da cartilha "Rompendo o Silêncio e Transformando Vidas", na manhã de ontem (24), no novo Fórum Cível e Criminal de Teresina.
O magistrado alerta que no Piauí existe menos de 20 presos preventivos por conta da lei Maria da Penha. Os poucos que foram condenados contestam a decisão no TJ-PI ou Supremo Tribunal Federal. Ou seja, nenhum agressor está definitivamente julgado e preso. De acordo com o juiz, os vários recursos impetrados pelos réus facilitam a lentidão dos processos.
"Eu me vejo impotente diante disso. Não deveria haver tantos recursos para o agressor. A nossa Lei tem que ser mais rápida e eficiente para as mulheres porque enquanto o acusado está solto com recurso a mulher ainda corre risco de vida", acrescentou o José Olindo. Ainda no 1º semestre deste ano, os primeiros acusados deverão ser julgados pela Lei Maria da Penha. As ações foram protocoladas pelas vítimas há dois anos.

Segundo o juiz, somente no ano passado, foram movidos 710 processos contra a violência doméstica. Desses, 90% foram renunciados pelas próprias vítimas. Por isso, apenas 10% das ações permanecem em julgamento, todas as demais foram arquivadas.
"A cada dez ações, nove são retiradas porque as vítimas alegaram não ter mais interesse em continuar (com o processo). As mães não querem ver os seus filhos presos, muitas mulheres voltam a se relacionar com os seus companheiros", lamenta o juiz, comentando que essas mulheres são orientadas a não desistir do processo uma vez que elas podem novamente ser violentadas pelos maridos, filhos, namorados, tios e avôs, por exemplo.
Cartilha
Na busca de romper os silêncios do âmbito familiar e encorajar as mulheres a denunciarem a violência doméstica, o Tribunal de Justiça do Piauí lançou na manhã de ontem (24) a cartilha "Rompendo o Silêncio e Transformando Vidas". A cartilha foi elaborada pelo Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.
Para o juiz titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Teresina, José Olindo Gil Barbosa, a cartilha veio para reforçar o pedido de condenação aos que realizaram violência sexual, física, psicológica, patrimonial e moral contra a mulher. Além de contribuir para manutenção das ações já impetradas contra o acusado.
José Olindo alerta que uma das maiores dificuldades encontradas para denunciar os agressores ainda é a falta de informação. "Nós sentimos que a mulher possui dúvidas sobre a lei. Na cartilha existem explicações sobre o que é violência e o que fazer nessa situação; como identificar uma violência; o que diz a lei Maria da Penha; quem foi Maria da Penha e sobre os direitos da mulher", citou o magistrado

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